terça-feira, 25 de outubro de 2011

Carrie, a Estranha - 1976


Se tratando de situações chocantes ninguém melhor que o diretor Brian De Palma para trazer tudo isso e muito mais a tela. Com um bom material nas mãos, Brian personaliza Carrie como uma vítima da sociedade, que a julga tanto pela sua aparência quanto por seu comportamento tímido e retraído. O trabalho de Brian parece ter buscado inspiração nos clássicos de Hitchcok, pois o filme busca explorar o emocional dos personagens a fundo. 
Tudo começa quando Carrie tem sua primeira menstruação, no vestiário da escola,  filmagens de nudez são usadas, mas tudo com ponderação, quando Carrie se depara com o sangue escorrendo no chão o pânico a domina, pois ela não sabe o que está acontecendo e sai do chuveiro apavorada. As garotas da escola começam a rir da sua atitude jogando tampões nela, até que a professora de educação física interrompe a algazarra mandando as garotas embora e tentando acalmar  Carrie que está totalmente apavorada e descontrolada. O filme já começa com uma cena forte e de grande impacto, logo no começo é mostrado o conflito adolescente e a necessidade de aceitação nessa fase. Junto com a maturidade Carrie descobre que não é só uma garota estranha, tímida e incompreendida mas que também tem poderes telecinéticos, o que a torna especial e perigosa. Toda sua retração tem com explicação a criação dura e severa de sua mãe, Margaret que é uma mulher amarga, que julga tudo pecado, maltrata a filha com agressões e a trancando. A situação muda quando Sue se arrepende de ter participado do grupo que humilhou Carrie e pede que Tommy a convide para o baile da escola. E a trama se desenrola quando Chris é proibida de ir ao baile por discordar do castigo da professora, e com raiva de Carrie paneja uma vingança. Carrie mesmo desconfiada com o convite do garoto popular Tommy, aceita ir ao baile com ele, mas o que ela não sabe são os planos de Sue e seu namorado Billy. Mas o elemento surpresa é deixado para o final, Carrie com seus poderes é capaz de fazer coisas se moverem e manipular o que deseja. A chegada de Carrie ao bailer é triunfal ela se transforma em uma princesa de contos de fadas e Tommy realmente se encanta com ela. Mas tudo muda quando eles são chamados ao palco para receber o título de rei e rainha do baile. Um balde de sangue de porco cai sobre Carrie e todos começam a rir dela, que no momento de fúria parece entrar em transe e dominada pela raiva se vinga de todos.
Essa é a cena chave do filme o momento mais esperado e mais empolgante, Carrie se divide entre mocinha e vilã. Muitos efeitos especiais são usados, closes de câmeras e uma trilha sonora agitada contagia quem assiste. Uma produção bem arquitetada faz de "Carrie - A Estranha" um filme envolvente e inesperado. Do elenco destaca-se muito bem Sissy Spacek que vive a frágil e destrutiva Carrie, mesmo em um dos primeiros trabalhos ela mostra todo seu potencial com naturalidade o que torna seu papel muito convincente. Outra fera que não pode ficar de fora é Piper Laurie que interpreta a mãe de Carrie. 
Margaret, uma mulher fanática por  religião que busca consolo na fé por ter sido abandonada pelo marido e desconta todos os seus fracassos e frustrações na filha. Outros jovens também começam a dar seus primeiros passos para um futuro brilhante como John Travolta que faz papel de Billy, Amy Irving que vive Sue, e William Katt que é Tommy.
Pra mim essa é uma das melhores direções de De Palma, um obra digna de ser vista e revista.

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